Resumo
Este texto trata de um projeto de pesquisa desenvolvido na Universidade Estadual da Paraíba, que ora se inicia em comunidades negras quilombolas na Paraíba. O mesmo se inscreve na história do tempo presente, quando imprimimos importância histórica aos sujeitos, valorizando as narrativas das mulheres destas comunidades. Estamos reincorporando as discussões da “Nova História Cultural”, que atribui a memória um papel de relevância, no que se refere às práticas culturais das mulheres, objetivando dar visibilidade a atores sociais, considerados excluídos pelo discurso da “História Oficial”, dos que vem de baixo. Partindo do princípio de que a memória e a oralidade se constituem como meios privilegiados de transmissão das artes de fazer, nas comunidades remanescentes de quilombolas, estaremos identificando através da memória cultural, como estes sujeitos sociais reinventam e se apropriam de determinados elementos culturais, em seus fazeres cotidianos. Assim, para que se possam considerar os depoimentos orais como fonte histórica e documental temos que reforçar a característica investigativa do fazer historiográfico. Neste sentido, nossa proposta coloca em evidência a filosofia e a prática cultual, predominante na sociedade de hegemonia branca, que tem dado um tratamento diferenciado aos registros orais das comunidades negras, minimizando-os enquanto fontes documental nos acervos públicos. O documento oral, de acordo com Delgado (2006), representa inúmeras possibilidades metodológicas e cognitivas, possibilitando recuperar traços da memória coletiva que não se encontram registrados em outros documentos. Como só recentemente os depoimentos orais das comunidades negras do Nordeste passaram a despertar o interesse dos pesquisadores, enquanto registro da memória, pretendemos dar mais um passo na ampliação destes estudos, haja visto que ainda existe poucos registro sobre este tema, fato que se explica por ter sido alijado dos acervos públicos. Memória invisibilizada pela historiografia tradicional principalmente, nos arquivos públicos que não tomam a oralidade como fonte documental, propiciando releituras e resignificações através das narrativas.