Desde a década de 1980 os arquivos judiciários têm sido utilizados por pesquisadores como janelas para a vida social e das relações cotidianas de determinada sociedade. Essas fontes recontam e reconstroem histórias esquecidas pelo tempo. Por mais que os diplomas judiciários sejam compostos por uma documentação oficial, a qual por diversas vezes passou pelo filtro das penas da caneta dos escrivães, este trabalho se voltará para as entrelinhas dos documentos. Busca-se enxergar além do escrito a fim de permitir o saltar da voz dos envolvidos. Essas fontes, muitas vezes construídas no auge do conflito, no fervor da emoção e num contexto de violência permitem conhecer as regras que ditavam as condutas sociais e as normas formais e informais de convívio entre os indivíduos. Por meio da análise quantitativa e qualitativa de autos criminais, correspondências policiais e mapas do Tribunal do Júri buscar-se-á entender as balizas morais e institucionais da sociedade capixaba na segunda metade do Oitocentos.