A presente comunicação objetiva relatar o acesso ao arquivo pessoal de José Maria dos Reis Perdigão - importante ator histórico nos acontecimentos que geraram a "Revolução de 1930" e Interventor do Governo Provisório no Estado do Maranhão - mostrando de que maneira foi se constituindo a relação necessária que possibilitou o contato pleno com tal acervo. A partir da etnografia gostaríamos de refletir sobre a construção da relação entre pesquisadores e/ou arquivistas e as pessoas e/ou famílias detentoras dessas documentações. Tomando como pressuposto da antropologia o fato de que a aproximação e o contato com o outro já fazem parte do processo de construção de um objeto de pesquisa, se faz necessária uma problematiza desse tipo de relação que ao nosso ver pode contribuir para a elucidação de alguns problemas teóricos metodológicos no trato com arquivos pessoais ditos de interesse público. Trato esse que não se limita unicamente aos procedimentos de resgate, transferência, classificação, acessibilidade ou processamento técnico, mas que diz respeito a construção de um novo lugar de inserção -paradigmático - da Arquivologia que a nosso ver precisa ser instituído em outras bases teórico-metodológicas e consequentemente filosóficas.
Este texto é fruto do trabalho iniciado em setembro de 1997 e, originalmente, visava subsidiar a elaboração do roteiro de um filme sobre o período em que Reis Perdigão ocupou a Interventoria do Estado do Maranhão e nacionalizou a multinacional norte americana Ulen Company. A responsabilidade do trabalho estava a cargo dos cineastas José Jofflily e Jorge Durán. A experiência tomou-se tão rica que resolvi torná-la pública a fim de valorizar a atuação de historiadores e arquivistas em trabalhos semelhantes.