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Arquivo e narrativa histórica nos documentários Mulheres de Cinema e o Cinema das Mulheres
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Arquivo e narrativa histórica nos documentários Mulheres de Cinema e o Cinema das Mulheres
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Resumo
O interesse pela participação das mulheres trabalhadoras na cadeia audiovisual brasileira, em diferentes áreas e épocas, tem trazido desafios políticos e epistemológicos à historiografia. Em busca de novas perspectivas, pesquisadores/as têm revisitado arquivos, produzido materiais e contribuído para a construção da memória do audiovisual. Nesse sentido, o próprio cinema tem participado desse debate produzindo e divulgando o conhecimento histórico cinematográfico a partir do recorte de gênero. Essas produções, sobretudo, se movimentam em direção aos arquivos na busca por evidenciar a presença das mulheres na história do cinema brasileiro desde a era silenciosa, a maioria reiteradamente, em funções de atrizes e/ou produtoras. Uma das primeiras iniciativas a narrar tal história ficou a cargo da atriz, produtora, roteirista diretora de cinema, Ana Maria Magalhães, que assina Mulheres de Cinema (1978). O documentário de 16mm, patrocinado pela Embrafilme, revela uma inquietação referente a ausência da mulher no discurso cinematográfico e traz uma gama de informações para um curta-metragem. A partir de um critério cronológico e da clássica narrativa inicial do cinema, ou seja, uma contextualização do possível surgimento de uma “Sétima Arte nacional”, com a chegada de Affonso Segreto ao Rio de Janeiro, em junho de 1898. O curta toma esse ponto de partida para demostrar como as mulheres buscaram fazer parte desta novidade e quão foram destacadas no jornal e nas revistas como beldades quase excêntricas. Outra produção importante é longa-metragem O Cinema das Mulheres (2020), de Vanessa de Araújo Souza, produzido pela Lascene produções e distribuído em plataformas digitais. Com a proposta de narrar a história do cinema sob a perspectiva das mulheres, o filme entrelaça vasta documentação com diversas entrevistas a pesquisadores/as e a mulheres que relembram suas próprias trajetórias. A narração de Zezé Motta costura essas narrativas proporcionando certa coesão cronológica e, de forma mais complexa, a aposta na experiência provoca questionamentos a narrativa histórica e trazer reflexões em torno da questão de gênero. Ambos os filmes, munidos de diversos registros documentais e a partir de temporalidades diferentes, se centram em consolidar a participação das mulheres no cinema brasileiro. Neste sentido, a presente proposta de trabalho busca interpretar o discurso histórico presentes nos documentários Mulheres de Cinema (1978) e O Cinema das Mulheres (2020), interrogando o papel dessas imagens na construção da memória e na produção do conhecimento histórico. Para tanto, busca-se interrogar a noção de arquivo presente nos filmes, em suma, como esses documentos são posicionados e reposicionados ao retratar e questionar o lugar das mulheres na história do cinema.
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1-17

