A música como atividade humana na história, pode ser entendida como produção de conhecimento. Os benditos populares, nas tradições religiosas, possuem origens que advém de um passado imemorial longínquo o qual se desconhece. Muitos benditos se constituem das composições medievais sacras. Reterritorializando a música erudita das grandes abadias e mosteiros europeus, o povo na sua cultura de bordas guardou em memória muitos arquivos do canto gregoriano. Para além da memória oral o povo mantém manuscritos que contém os cânticos. Este trabalho pretende analisar o trajeto antropológico da memória que arquiva esses “textos”. A memória é um processo, e só é possível entender o que se passa em determinada época estudando seu passado. Posto isto, é de grande importância relatar neste trabalho os percursos enfrentados pela música litúrgica nos antecedentes da época Medieval, para se entender o arquivamento estratégico dos benditos em latim que têm lugar na história.