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Sobre o que falamos quando falamos de decolonizar os arquivos?
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Título
Sobre o que falamos quando falamos de decolonizar os arquivos?
Autor(es)
Resumo
O artigo discute o significado e os alcances da decolonização dos arquivos, compreendendo-a não como uma revisão terminológica ou uma inclusão pontual de vozes marginalizadas, mas como um processo profundo de enfrentamento das estruturas coloniais que historicamente organizam a produção, a guarda e o acesso à memória. Parte-se de uma reflexão teórica sobre os estudos decoloniais, distinguindo os termos descolonial e decolonial, e mobilizando autores como Quijano, Maldonado-Torres, Fanon, Said e Spivak para evidenciar como a colonialidade do poder, do saber e do ser atravessa as instituições arquivísticas. O texto argumenta que os arquivos, longe de serem neutros, funcionam como dispositivos políticos que participam da produção de silenciamentos, hierarquizações e apagamentos ontológicos. Nesse contexto, a crítica à neutralidade técnica, à centralidade do Estado-nação e à concepção tradicional de proveniência revela a necessidade de reconfigurar os fundamentos epistemológicos e éticos da arquivística. A partir dessas reflexões, o artigo apresenta os arquivos comunitários como práticas decoloniais, entendidas como iniciativas de resistência e reexistência nas quais comunidades historicamente marginalizadas assumem o protagonismo na construção, na gestão e na difusão de suas próprias memórias. Por fim, reconhece-se a existência de críticas e tensões em torno da proposta decolonial, defendendo-se, contudo, sua relevância para complexificar e transformar o campo arquivístico contemporâneo.
Palavra-Chave
Arquivos > Arquivos Comunitários | Decolonialidade | Estudos arquivísticos críticos
Relacionado à Obra
Organizador(es)
OLIVEIRA, Lúcia Maria Velloso de | TOGNOLI, Natalia Bolfarini
Editora
Link do Livro
https://www.pimentacultural.com/wp-content/uploads/2026/03/eBook_decolonizacao-arquivos.pdf
ISBN
978-85-7221-606-7
Sumário
Capítulo 6
Páginas
129-143
Ano
Categoria
Outro Idioma
Title/Título/Titre
WHAT DO WE MEAN WHEN WE TALK ABOUT DECOLONIZING ARCHIVES?
Abstract/Résumé/Resumen
This paper discusses the meaning and scope of decolonizing archives, understanding it not as a terminological revision or a token inclusion of marginalized voices, but as a profound process of confronting the colonial structures that have historically shaped the production, custody, and access to memory. The discussion begins with a theoretical reflection on decolonial studies, distinguishing between the terms decolonial and decolonizing, and drawing on authors such as Quijano, Maldonado-Torres, Fanon, Said, and Spivak to demonstrate how the coloniality of power, knowledge, and being permeates archival institutions. The article argues that archives, far from being neutral, operate as political devices that participate in the production of silences, hierarchies, and ontological erasures. In this context, the critique of technical neutrality, the centrality of the nation-state, and traditional notions of provenance reveals the need to reconfigure the epistemological and ethical foundations of Archival Science. Building on these reflections, the article presents community archives as decolonial practices, understood as forms of resistance and re-existence in which historically marginalized communities assume protagonism in the construction, management, and dissemination of their own memories. Finally, the paper acknowledges existing critiques and tensions surrounding decolonial approaches, while reaffirming their relevance for complexifying and transforming the contemporary archival field.
key words/Mots-clés/Palabras clave
Community Archives | Critical Archival Studies | Decoloniality.
