Há vinte anos atrás, historiadores franceses se voltaram com grande apetite para aquilo que convém chamar de fontes privadas. Até então, os documentos pessoais atraíam principalmente os historiadores da literatura ou da arte, que santificam profissionalmente a "roupa suja" dos grandes homens. Hoje, o desenvolvimento da história cultural e da história das elites tornou as fontes privadas não mais fontes excepcionais capazes de acrescentar um pouco de sal a uma narrativa austera ou de fornecer (enfim!) a chave do mistério da criação, mas uma fonte comum, que se tenta conservar como se conservam as fontes administrativas ou estatísticas. Essa evolução traduz uma mudança fundamental de sensibilidade historiográfica que alguns podem interpretar como um dos sinais de uma "crise" e outros, talvez mais perspicazes, como uma modificação da relação com a história como disciplina científica, com o tempo e, de modo mais geral, com os fenômenos observados.