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A criação da Universidade da Selva em tempos de ditadura: notas sobre arquivos e memória (1970-1985)
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A criação da Universidade da Selva em tempos de ditadura: notas sobre arquivos e memória (1970-1985)
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Resumo
Acompanhamos com maior intensidade nos últimos anos, o debate no espaço público sobre representações revisionistas e negacionistas acerca da ditadura militar brasileira. Disputas por memórias e narrativas históricas seguem despertando interesse de parte da sociedade motivada com a possibilidade de estabelecer novas relações com o passado recente do país. Este texto aborda aspectos do período da ditadura militar com recorte para compreender principalmente a implantação do campus da Universidade Federal de Mato Grosso, em Cuiabá, no início dos anos 1970. Planejada para atender às crescentes demandas pela implantação de uma universidade no Estado, a UFMT, chamada de Universidade da Selva, nasceu em meio ao autoritarismo do regime militar. Sua fundação é atravessada pela aprovação e implementação da Lei 5.540/68, que reformou o ensino superior brasileiro e pelos efeitos do Ato Institucional n.5. Em Cuiabá houve mobilização de estudantes e passeatas populares noticiadas nos jornais de circulação na capital e no interior de Mato Grosso. Assim, em 10 de dezembro de 1970, foi publicada a Lei n.º 5.647, que autorizou a instituição da universidade a partir da junção das já existentes Faculdade de Direito e do Instituto de Ciências e Letras. O objetivo do texto é estabelecer um diálogo com a literatura que trata da temática e analisar as ações dos governos militares em Cuiabá e no campus da UFMT, ao longo do primeiro decênio após o golpe. Neste contexto, uma ampla e complexa rede de informações foi utilizada com o objetivo de garantir ao regime a estabilidade necessária. Além do Serviço Nacional de Informações, criado em 1964, e dos Centros de Informações do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, foram criados órgãos de informações ligados aos ministérios civis, autarquias, fundações, entre outros. No caso do Ministério da Educação e Cultura, a estrutura de informação incluía a Divisão de Segurança e Informação, as Agências Centrais e as Assessorias de Segurança de Informações (AESI), cujo principal objetivo era o monitoramento das atividades da comunidade universitária. Os documentos analisados até o momento, disponíveis no Arquivo Nacional, evidenciam o frequente acompanhamento das ações dos professores e dos discentes da UFMT. A AESI coletava dados sobre contratação de professores, sobre o movimento estudantil, controlava viagens de docentes e discentes para eventos científicos, censurava livros, entre outras atividades, que permaneceram mesmo após a reabertura política do país. Desse modo, a discussão avança para pensar o acesso aos arquivos e as memórias oficiais cristalizadas.
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1-11
