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A contribuição de Suzana Pasqualini no discurso sobre si de Alberto Pasqualini mediante o arquivo pessoal de seu esposo
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Título
A contribuição de Suzana Pasqualini no discurso sobre si de Alberto Pasqualini mediante o arquivo pessoal de seu esposo
Resumo
O processo de subjetivação em arquivos pessoais ocorre graças à intenção biográfica do titular do acervo em perpetuar um discurso e/ou uma imagem sobre si que é produzida durante o processo de seleção e organização de um acervo. Além disso, a compreensão da narrativa existente em um arquivo pessoal e de seu contexto de produção/acumulação deve considerar, no mínimo, três instâncias que constituem o “vínculo custodial” como denominado por MacNeil (2018) que são as seguintes: a) custódia pessoal; b) custodiadores ulteriores; e c) intervenção arquivística. O discurso sobre Alberto Pasqualini, ex-Senador da República na década de 1950 pelo Estado do Rio Grande do Sul e principal teórico do trabalhismo brasileiro, em seu arquivo pessoal condiz com essa premissa quando se analisam as motivações de acumulação do acervo. O titular, enquanto produtor e primeiro custodiador, consciente da relevância para a história social, intelectual, cultural e política de seu tempo, acumulou os seus documentos como forma de perpetuar a memória do trabalhismo brasileiro. A sua esposa, Suzana Pasqualini, herdou os seus documentos tornando-se a custodiadora ulterior, responsável pela preservação documental do acervo. Ela atuou, primeiramente, como alguém que exaltava as ideias e ações de seu marido, além de representá-lo em todas as esferas de sua vida após o derrame sofrido. Posteriormente ao falecimento de Alberto Pasqualini em 1960, teve o intuito de preservar o seu legado para a história nacional. No final dos anos 1980, Suzana Pasqualini organiza o acervo tendo em vista o engrandecimento da atuação e do legado de Alberto Pasqualini. A última instância que corresponde à intervenção arquivística, no caso a Prefeitura Municipal de Ivorá/RS que recebeu a documentação doada por Suzana Pasqualini, elaborou e executou ações para que a população local assimilasse o legado de seu ilustre conterrâneo. Desta maneira, a sua memória não seria esquecida e era uma forma de alavancar o desenvolvimento local com a construção de um espaço que atraísse pesquisadores ao município. A compreensão das três instâncias ajuda a entender a narrativa existente no acervo de Alberto Pasqualini sobre ele mesmo. Neste estudo, será apresentado de que forma Suzana Pasqualini, segunda instância do vínculo custodial de arquivo, atuou para imprimir elementos sob a sua perspectiva no discurso de si de Alberto Pasqualini em seu acervo e quais os seus significados. Considera-se nesta pesquisa que os arquivos pessoais, assim como outros tipos de acervos arquivísticos, não são neutros, como nos lembra Le Goff (1990) ao argumentar que os documentos não são inócuos. Logo o entendimento das intencionalidades da formação de um acervo é fundamental para uma melhor assimilação do objeto histórico a ser estudado.
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Páginas
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