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Da prostituição ao Arquivo: trajetórias e reflexões sobre o fundo “Davida – prostituição, direitos civis, saúde”
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Da prostituição ao Arquivo: trajetórias e reflexões sobre o fundo “Davida – prostituição, direitos civis, saúde”
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Em 2013, a organização não governamental “Davida – Prostituição, Direitos civis, Saúde” doava todo o seu acervo para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ). Constituído por um grande volume documental, além de uma variedade proporcional de gêneros e com dificuldades ímpares em sua organicidade e estrutura. Essa instituição foi fundada em 1992, assim como outras que se espalharam pelo país a partir de reverberações da década anterior, quando emergiu um movimento de organização das prostitutas no Brasil e a formação da Rede Brasileira de Prostitutas. Sua principal representante, Gabriela Leite, defendia e lutava severamente pelos direitos deste grupo tão marginalizado e estigmatizado pela sociedade. Neste ano, completam-se 10 anos da chegada desta documentação ao Arquivo. Portanto, é importante destacar alguns cenários desse contexto e apresentar um panorama do conjunto, assim como seus significados e símbolos representados nos trajetos percorridos entre a criação da organização e a formação do Fundo localizado no APERJ hoje. Ou seja, destrinchar o processo de chegada e organização do acervo transferido. Dentre os debates implícitos e inerentes a essa documentação, a formação e preservação da memória do grupo são o que chamam mais atenção. Porém, não apenas isso, mas demostram também que a partir do trabalho desenvolvido durante o tratamento técnico se pode apreender pontos sensíveis sobre os documentos produzidos na instituição que agregava e condensava o movimento de prostitutas. A documentação perfaz caminhos em outras temáticas também, como: gênero, sexualidade, saúde, justiça, educação, política, entre outras. Assim também, como pode nos levar a refletir numa perspectiva política do ato de guardar, doar e criar lugares de memória para o movimento de prostitutas se abrigarem. O recebimento e a custódia dessa documentação no APERJ também simbolizam um ato de integrar algo não público ao acervo do Estado, como foi pensado na época, um reconhecimento de importância e relevância na preservação deste conjunto é vital na manutenção de parte da história e memória da sociedade brasileira. Em suma, as análises do texto recaem sobre a formação, doação e manutenção do Fundo “Davida – Prostituição, Direitos civis, Saúde” custodiado pelo APERJ há 10 anos. Uma tentativa de explicar o processo nada comum em diversas perspectivas e contribuir para as discussões em torno dos campos da Arquivologia e da História, principalmente, quando refletir sobre novas abordagens e novos olhares a respeito da documentação histórica.
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1-16
