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Territórios de memória: o olhar da ditadura brasileira sobre as esquerdas revolucionárias sul-americanas através dos arquivos da repressão
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Territórios de memória: o olhar da ditadura brasileira sobre as esquerdas revolucionárias sul-americanas através dos arquivos da repressão
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Resumo
A década de 1970 na América do Sul foi marcada pela ascensão de diversas organizações revolucionárias que, desde a década anterior, questionavam as formas tradicionais de atuação e representação política e propunham uma perspectiva ofensiva, pautada pela defesa da luta armada. Mas nem todos eram vermelhos e revolucionários naqueles tempos. Nesse sentido, o cenário político sul-americano também foi marcado pela emergência de governos autoritários que possuíam uma característica em especial: a presença de militares no poder. Contando com o apoio de amplos setores civis, estes militares implantaram e sustentaram ditaduras, que tinham como característica central um alto e intenso grau de violência política. Essas ditaduras civil-militares possuíam uma grande estrutura burocrático-militar responsável pela elaboração de distintos registros e organização de arquivos. No caso da ditadura brasileira, especificamente, os altos comandos militares iniciaram a construção de uma estrutura policial-burocrática, calcada na espionagem, coleta de informações e operações policiais e voltada, sobretudo, para a captura e interrogatório dos opositores políticos do regime, incluindo, entre seus métodos, o uso sistemático da tortura. Essa complexa estrutura – constituída por instituições policiais, militares e de inteligência e responsável pela imposição de uma “cultura do medo” baseada no controle, vigilância e violência – produziu um significativo arcabouço documental, que constitui hoje os chamados arquivos da repressão. O Brasil é o detentor do maior conjunto documental de origem pública sobre a repressão política na América do Sul.Nesse sentido, o presente trabalho tem por objetivo principal analisar, a partir dos documentos produzidos pelos organismos da estrutura burocrático-militar da ditadura, o olhar dos órgãos de inteligência e repressão da ditadura brasileira acerca das esquerdas revolucionárias da América do Sul. Dentro do campo das esquerdas revolucionárias sul-americanas que atuaram na década de 1970, este trabalho contemplará especificamente a documentação produzida pela ditadura brasileira acerca da Junta de Coordinación Revolucionária (JCR), uma organização revolucionária internacionalista integrada por quatro dos mais significativos grupos da esquerda armada sul-americana. Ao analisar a produção documental da ditadura civil-militar brasileira, discutiremos ainda como esses acervos configuram-se como territórios de memória, na medida em que são espaços de disputas acerca dos distintos sentidos do passado, colocando em pauta de discussão as relações entre arquivos, história e memória.
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1-17
