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A vila de São Paulo do Campo e seus caminhos
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A vila de São Paulo do Campo e seus caminhos
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Resumo
O presente texto é fruto da convivência que mantemos há mais de vinte e cinco anos com a história da cidade de São Paulo. Primeiramente, atuamos como técnico da Supervisão de Áreas e Estudos Especiais na antiga Cogep, hoje Secretaria Municipal de Planejamento (1978-1987). Depois, como técnico da Seção de Crítica e Tombamento, da Divisão de Preservação do Departamento do Patrimônio Histórico (1987-1995). A seguir, como técnico da Seção de Levantamento e Pesquisa (1996-1998), dessa mesma Divisão. E, atualmente, como pesquisador da Divisão do Arquivo Histórico Municipal, lotado na Seção de Estudos e Pesquisas (1998-2005), onde elaboramos estudos de caráter histórico baseados na documentação custodiada pelo Arquivo Histórico Municipal e voltados para a exploração de diferentes aspectos do desenvolvimento urbano da cidade de São Paulo, com o objetivo entre outros de divulgar o rico acervo do Arquivo entre os especialistas e o público em geral. Nosso interesse pelos antigos caminhos de São Paulo tornou-se particularmente aguçado quando, na Divisão de Preservação, participamos do IGEPAC-SP relativo às áreas do Centro Velho e do Centro Novo, entre outras. No Inventário Geral do Patrimônio Ambiental, Cultural e Urbano da Cidade de São Paulo executado na Divisão de Preservação do Departamento do Patrimônio Histórico, assumimos a responsabilidade pelo estudo da evolução urbana de tais áreas da cidade e em decorrência disso nos deparamos com a importância dos antigos caminhos, pois muitos deles persistem sob a forma de ruas e avenidas, e é ao longo deles muitas vezes que se dá ainda hoje a expansão da ocupação urbana dentro dos limites do município. Nesse gênero de estudo – e o presente trabalho é prova incontestável disso –, tivemos de nos debruçar freqüentemente sobre as famosas Atas da Câmara da cidade de São Paulo. As Atas constituem uma documentação primária de valiosíssima e imprescindível leitura para todo aquele que se sente atraído pela história paulistana num período que abrange quase trezentos e cinqüenta anos, 1562-1909, e seus inestimáveis manuscritos se acham sob a guarda do Arquivo Histórico Municipal Washington Luís. Nome muito apropriadamente atribuído ao Arquivo em 1969, já que foi justamente esse prefeito da cidade de São Paulo, historiador ele também, quem decidiu com muito acerto e descortino mandar transcrever as antigas Atas e publicá-las a partir de 1914. Pode-se afirmar que o que dissemos acima em relação ao extraordinário valor das Atas da Câmara como fonte primária fundamental para o estudo da história da capital paulista, sobretudo nos seus primeiros séculos, já é de há muito de pleno conhecimento público. Para a ampla vulgarização dessa coleção documental muito contribuiu o conhecido historiador Afonso d’Escragnolle Taunay (1876-1958), que no decorrer de sua vida produziu uma larga obra historiográfica, quase inteiramente dedicada à cidade de São Paulo, a partir da reverente leitura da documentação camarária paulopolitana. Exemplo depois seguido por vários outros estudiosos que recorreram, e continuam a recorrer, às velhas Atas para delas extrair os mais ínfimos indícios que os orientem na árdua tarefa de tentar reconstituir a vida dos paulistanos de mais de quatrocentos anos atrás. E, como poderemos constatar no estudo aqui presente, é ainda das Atas da Câmara (e não só delas, mas também do Registro Geral e das Cartas de Datas, outras coleções documentais produzidas na antiga Câmara paulistana, e das Cartas dos primeiros jesuítas no Brasil, publicadas por ocasião dos festejos do IV Centenário de São Paulo) que provêm alguns dados importantes para os quais ainda não atentaram os historiadores atuais, muitos deles arquitetos, recentemente interessados na reconstituição da conformação urbana da cidade de São Paulo nos seus primeiros tempos.
Relacionado à Obra
Organizador(es)
ISSN ou ISBN
0034-9216
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ISSN
0034-9216
Volume
204
Páginas
11-34

